
O dom da paciência é para poucos. Se colocar em posição do outro, reconhecer suas fraquezas, disponibilizar seu tempo para entender o próximo, tudo soa tão “antiquado” e “desnecessário” quanto arrumar a cama ao acordar.
Não é exagero dizer que de um tempo pra cá (um bom tempo) as pessoas simplesmente resolveram soltar as responsabilidades - as próprias e as dos outros – aos cães. Ninguém se importa com nada, ninguém se importa com ninguém. Tanto faz se você está perdido na selva de pedra ou dentro de si. Ninguém pára pra te ouvir. Ninguém sabe onde fica nada, quem faz o quê.
As ruas estão repletas de gente que esqueceu como é viver intensamente, são passantes, errantes – muito mais errantes – e já não querem saber o que acontece do outro lado da rua, a não ser para postar no twitter, ou vender o “furo” pra mídia que pagar mais.
Já não se socorrem pessoas nas calçadas, caiu, sorte sua se dignarem-se a chamar uma ambulância.
O silêncio abruptamente rompeu os laços de amizade potencial, quebrou o pouco que restava de elo entre um estranho e um novo amigo.
O respeito é artigo de museu, e as pessoas agora não tem papas na língua pra falar do outro, pra reclamar do outro, pra julgar e erguer a voz, sem deixar brecha pra defesa.
Tolerância, nem sabemos quando foi a última vez que deu as caras nesse mundão de (Deus, deus, deuses, energias vitais, etc…) ninguém. Um simples ato ou fato que desagrade, pronto, está armada a guerra. Olhares tortos, diz que diz, diz que não disse. Não vou, não faço, não gosto, dane-se!
Agressões verbais são corriqueiras, são rotina, e o desgaste emocional – e físico também, afinal, bem ou mal, gera alguma energia – são imensos, e destroem o pouco que há de relação ali. E nem estou falando de violência física, e nem vou falar.
Agora, é tão difícil assim se colocar na situação do outro um momento que seja? Tentar compreender o que se passa, ou pelo que já passou aquele ser que está na tua frente? Será que não é apenas o caso de mudar as palavras, de adoçar de leve cada palavra? De medir um pouco suas ações?
Não consigo entender o que é tão difícil aí: se compreender, aceitar e agir de acordo com o que é possível e humano no momento, ou se brigar, espernear, discutir calorosamente, sem ouvir outros pontos de vista, sem analisar outras possibilidades.
É tão simples conviver, se a gente reconhecer que o outro nunca será igual a nós, que as pessoas tem opinião própria, e que a chance dessa opinião ser diferente é bem grande, se soubéssemos o quanto é mais fácil compreender, respeitar e aceitar os limites do outro, o mundo seria um pouquinho diferente.
Isso vale para as relações pessoais, de trabalho, com amigos, com a família. Vale também com o motorista do ônibus, com o carteiro, com os vizinhos, ou com um estranho que passa na rua, e junta algo que você deixou cair, e te devolve. Ou a secretária do seu médico de muitos anos.
Exercitar a paciência e a compreensão das coisas e das pessoas a nossa volta pode ser difícil em algumas situações em que a provocação parece ser mais forte que a nossa simples vontade de resolver, mesmo assim, acredito que valha a pena começar por pequenas tentativas, e gradualmente começamos a nos entender e entender melhor o outro também.
Vamos começar?
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“A paciência serve de proteção contra injustiças como as roupas contra o frio. Se você veste mais roupas com o aumento do frio, este não terá nenhum poder para feri-lo. De forma idêntica você deve crescer em paciência quando se encontra em grandes dificuldades e elas serão impotentes para atormentar a sua mente.”
Leonardo da Vinci
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